• Plataformas: PC, PS4, Xbox One
  • Género: RPG de Ação-Aventura
  • Lançamento: 21 de março de 2017
  • Estúdio: Bioware
  • Editora: Eletronic Arts
  • Preço: 19.99 €

Após três anos do seu lançamento, finalmente tive a coragem de jogar Mass Effect Andromeda.

Começo por dizer que adoro a trilogia destes fantásticos RPG da Bioware. Já joguei, que me recorde, pelo menos umas três vezes das quais duas vezes joguei com todos os DLC’s de todos os jogos.

Relembro-me perfeitamente no lançamento de Andromeda estar extremamente entusiasmado por aquilo que a Bioware iria trazer para a série.

No entanto, não demorou muito tempo até perceber que a opinião generalizada era de que este jogo não conseguia chegar ao nível de qualidade que tivemos na trilogia original.

Mas, sendo fã da série, sabia que mais cedo ou mais tarde teria que o jogar e passado três anos aqui estou eu com o jogo concluído e pronto para fazer uma review.

MASS EFFECT™: ANDROMEDA – Official Launch Trailer

No seu lançamento o jogo foi muito criticado devido à quantidade de bugs apresentados e depois de ver alguns vídeos da versão 1.00, definitivamente é verdade.

Eu joguei na versão mais atualizada, 1.10, e posso dizer que mesmo com a versão mais atualizada do jogo, encontrei bugs de forma que considero frequente. A parte positiva é que todos foram bugs gráficos e não influenciaram de nenhuma forma o gameplay.

Coisas como animações erradas ou texturas que não carregavam, apareceram-me o suficiente para eu dizer que era “frequente”.

Se depois de dez patches ainda surgem estes pequenos problemas, ainda bem que não o joguei no lançamento.

E já que abordei a questão do gameplay, aqui tenho que confessar que fiquei muito surpreso.

Tendo jogado a trilogia Mass Effect tanto no PC como nas consolas, quando me recordo da série não é certamente pelo seu gameplay perfeito e fantástico.

Ryder a segurar uma arma no deserto

Em Andromeda isso foi muito melhorado. Sempre que entrei em combate senti confiança que o meu Ryder ia responder a todas as minhas ações e inputs que pretendia.

O som das armas, a capacidade de saltar e sobrevoar o campo de batalha, as habilidades que tinha à minha disposição, tudo isso fizeram-me sentir um verdadeiro soldado.

Os próprios cenários onde aconteciam as batalhas também estavam bem construídos com cobertura apenas o suficiente para nunca me sentir demasiado confiante.

Para além disso navegar pelos planetas também é muito melhor com a já mencionada capacidade de saltar, o nosso veículo (Nomad) ser bastante manobrável e existir em cada esquina um ponto de interesse para explorar.

Ainda abordando os pontos positivos, tenho que falar obrigatoriamente dos gráficos.

Eu joguei no PC com tudo em Ultra e tenho que dar os meus parabéns à Bioware pelos bonitos planetas que criaram. Senti que existiu uma variedade suficiente de ambientes desde o deserto ao gelo e cada planeta tinha uma identidade muito própria.

Juntando isso a um estilo de arte também muito bonito e colorido, ficava sempre satisfeito a navegar pelos planetas e queria explorar sempre mais até descobrir todos os pontos no mapa.

Eos de Mass Effect Anromeda

Algo que tenho que criticar na exploração de planetas é a forma como navegamos de planeta em planeta.

Para conseguir viajar para outro planeta tenho que ir sempre para a Tempest (a nossa nave), esperar que surja uma cutscene a sair do planeta, ir para o mapa da galáxia, selecionar o Cluster que quero, esperar por mais uma cutscene e quando seleciono o planeta para aterrar tenho que esperar por outro cutscena da Tempest a entrar no planeta.

Sempre que quis mudar de planeta, e foram muitas vezes porque queria explorar tudo, tinha que ver sempre cerca de 30 segundos de cutscenes o que confesso que me incomodou um bocado pois não podiam ser saltadas.

E por falar na Tempest, temos que falar na nossa equipa que nos vai acompanhar por esta jornada na nova Galáxia.

Em Mass Effect Andromeda temos seis membros de equipa que podemos escolher para nos acompanhar na aventura. Estes membros são introduzidos logo nas primeiras horas do jogo.

Equipa de Mass Effect Andromeda

Temos a Peebee, Cora, Vetra, Jaal, Drack e Liam.

Acho que aqui podia ter sido melhor, mas não fiquei também desiludido com o trabalho desenvolvido para estas personagens. Senti que cada uma era diferente e trazia coisas diferentes ao campo de batalha (principalmente a Cora e Peebee), no entanto, ao compararmos às equipas que tivemos na trilogia original, deixa um pouco a desejar.

A Peebee foi aquela que para mim mais se destacou da equipa inteira por estar sempre com um tom não tão sério e por ser uma grande ajuda nas batalhas.

Do outro lado da moeda, temos a Vetra que para mim não acrescentou nada de relevante para a história e mesmo as conversas com ela nunca foram memoráveis ao ponto de ser a personagem que menos escolhi para jogar comigo.

E já que abordo a questão das personagens, tenho que criticar a falta de variedade de espécies alienígenas que este jogo apresenta.

Para além de trazer os Humanos, Asari, Salarians e Turians da Via-Láctea, na galáxia de Andromeda vais conhecer os Angara, Remnant e Kett sendo os últimos, os nossos principais inimigos.

Ao entrar numa nova galáxia estava curioso por conhecer as novas espécies que lá habitavam e infelizmente fiquei desapontado.

Kett em Mass Effect Andromeda

Considero que a única verdadeira espécie nova são os Angara. Os Remnant são robôs e os Kett parece-me ser seres humanos com algumas deformações na cara.

Já os Angara têm uma personalidade muito própria e gostei de conhecer a forma como eles interagiam entre si, a forma como olhavam para outras espécies, a forma como o seu “governo” estava organizado, entre outros detalhes que me deixaram interessados em saber mais da sua história.

Já os Kett, sendo os principais inimigos do jogo, são muito mal explorados. Basicamente são os “maus” da história e temos que os matar sempre. As pequenas interações que temos com os seus líderes são “vou-te matar” e é isto. Não existe uma profundidade e uma explicação de como a sociedade deles está organizada.

Pegando agora um pouco na história, chegamos a Andromeda, vindos da Via-Láctea, com a principal função de descobrir novos planetas e habitá-los.

No começo da história quando chegamos à Via-Láctea surge um imprevisto e o primeiro planeta onde aterramos, Habitat 7, afinal encontra-se em muito mau estado.

Para não escrever spoilers sobre a história, vou passar um pouco à frente esta fase inicial para o momento em que o verdadeiro objetivo e missão se desenrola.

Sendo um RPG, temos a possibilidade de escolher a aparência do nosso Ryder que pode ser masculino ou feminino.

Devido aos acontecimentos nas primeiras horas do jogo, somos o Pathfinder Humano. A missão de um Pathfinder é encontrar planetas que sejam habitáveis para as espécies da Via-Láctea e colonizar esses mesmos planetas.

Gostei muito dessa premissa. Encontrar planetas que não está adequado à vida humana para depois através de missões e tarefas nesses mesmos planetas, torna-los viáveis até 100%.

Aqui o problema que encontrei é que temos que estar constantemente a saltar de planetas em planetas para concluir missões (principalmente as missões secundárias) e aliar isso ao processo que já mencionei a cima de viajar de planeta em planeta, muitas vezes tive vontade de ignorar tudo o que era secundário.

Para além da nossa equipa, como seria de esperar, encontramos inúmeras outras personagens que nos dão missões, são nossos amigos, são nossos inimigos e muito mais.

Enquanto estou a escrever esta review acreditem que eu não tenho em mente uma única personagem que me tenha deixado marca. Sempre que conversava com alguém a minha reação no final do diálogo era encolher os ombros e prosseguir a minha vida.

Fiquei muito desiludido com os diálogos porque às vezes parece que são totalmente desconectados com o mundo e com a história que estamos a viver. Vejam o seguinte pequeno exemplo.

Sara Ryder and Suvi

E por falar nas personagens, vamos falar de um problema que até agora assombra Mass Effect Andromeda: as animações faciais.

Quando foi lançado Andromeda tornou-se no imediato um meme com muitos bugs e, além disso, uma animação facial que até hoje não entendo como ninguém na Bioware corrigiu antes do lançamento.

Isto só mostra o quanto automático o sistema de animações faciais deve ter sido implementado. Através de várias atualizações, esta cena de diálogo foi corrigida como podem ver de seguida.

ALERTA: Spoiler do início do jogo.

Mass Effect Aandromeda - Foster Addison "My Face Is Tired" Patch 1.05 Comparison

Com isto não estou a escrever a review com base no jogo não atualizado, mas sim para provar o meu ponto.

A Bioware simplesmente implementou um sistema automático de animações faciais que depois não teve o cuidado de ir diálogo a diálogo e corrigir certos problemas ou certas nuances que fazem toda a diferença.

O facto de Addison ao dizer “estou cansada” enquanto passa a mão na cara torna a experiência muito mais orgânica e eu como jogador crio uma maior empatia com a emoção que ela está a transmitir.

Acredito que muitos destes problemas foram corrigidos com as várias atualizações, mas mesmo em 2020 e com todos os patchs instalados, existiram cenas que me senti totalmente apático ao que acontecia.

O que me levou a jogar Mass Effect Andromeda foi o meu carinho muito especial pela trilogia original.

Como já disse, joguei mais que uma vez a trilogia original e queria muito, mas mesmo muito, que Mass Effect Andromeda fosse um bom ponto de partida para uma nova saga (o final deste jogo antevê que existiam planos para uma continuação).

Mas depois do insucesso na crítica deste jogo, os rumores que a série foi colocada em “Pausa” e o recente insucesso de Anthem, também da Bioware, tenho receio do caminho que Mass Effect vai tomar num próximo título. Anseio pelo melhor.

REVIEW GERAL
Satisfaz +
6