Those Who Remain: Review

Capa do jogo Those Who Remain
  • Plataformas: PC, PS4, Xbox One
  • Gênero: Terror Psicológico
  • Lançamento: 28 de maio de 2020
  • Estúdio: Camel 101
  • Editora: Wired Productions
  • Preço: 19.99€

Those Who Remain é produzido pela Camel 101, um do estúdio português mais conhecido do mundo dos jogos. Sendo um jogo Made in Portugal, estava muito interessado em saber o que Portugal pode trazer para esta indústria.

Those Who Remain - Official Release Date Trailer

O jogo para além de já estar disponível para PC, PS4 e Xbox One, também será lançado na Nintendo Swicth ainda não tendo data concreta, sabemos que será no verão.

Fazendo um pequeno resumo daquilo que vão ler à frente, Those Who Remain é um jogo que senti que tinha muito potencial. De uma forma geral todos os departamentos contribuem para um jogo que é feito com carinho e empenho, mas existe um senão que acaba por prejudicar tudo o que envolve Those Who Remain e vou explicar nesta Review.

Edward, o traidor

Começando por me focar mais na parte da história, em Those Who Remain somos Edward que bem logo no começo do jogo, sabemos que anda a trair a sua mulher enquanto bebe uma quantidade significativa de whiskies. De forma a corrigir os seus erros, Edward então desloca-se até ao Golden Oak Motel onde vai-se encontrar com a sua suposta amante para terminar a relação.

A minha primeira reação a Edward foi positiva. O ator que empresta voz à personagem tem uma voz profunda, mas acho que podia-se sentir um bocado mais de medo na voz. Sei que isto pode ser difícil de explicar sem se jogar, mas é apenas um pequeno reparo. Tirando isso gostei.

Quando chegamos ao Motel é quando agarramos pela primeira vez no comando para jogar. O Motel está vazio, não existe uma única alma à vista, temos que nos dirigir à receção para encontrar forma de entrar no quarto da nossa amante. Gostei que logo neste início de jogo, quanto exploramos o quarto da nossa amante, ouvimos uma vez que explica de uma forma geral aquilo que temos de fazer no jogo: “Mantem-te na Luz”

Mantem-te na Luz

O que acabaram de ler é um dos principais motes do jogo: manter-nos na luz. É aqui que reside grande parte do núcleo da experiência. Em 90% das vezes se tiveres num espaço iluminado não precisas de te preocupar muito.

A nível de jogabilidade, é muito fácil de perceber desde o início. Não temos armas nem objetos que possam ser usados contra os inimigos. Aqui usamos a nossa mente para resolver os puzzles que nos são apresentados e bem… correr e andar. Uma jogabilidade simplista, mas que gostei.

O começo do jogo é um pouco desapontante, principalmente a primeira hora mais ou menos. Não me senti com medo em momento algum e os puzzles invés de me desafiarem, eram aborrecidos. Felizmente tudo mudou quando surgiu o primeiro “inimigo”. Aí o nível de terror do jogo aumentou bastante e senti-me realmente com medo e ao mesmo tempo com vontade de jogar ainda mais.

O calcanhar de Aquiles

Performance: é este o calcanhar de Aquiles de Those Who Remain. Para esta análise utilizamos uma Xbox One X que tem o CPU e o GPU mais capaz nas atuais consolas. O jogo corre a 30FPS nas consolas e na One X não consegui estar mais do que 30 segundos de jogabilidade sem ter queda de frames.

De forma a garantir que o problema não estava na minha Xbox One X, tive o cuidado de formatar e reinstalar o jogo e infelizmente o mesmo problema continuou.

Tive o cuidado de contactar a Camel 101 para abordar esta questão e foi-me confirmado que o jogo estava a correr a 4K (3840x2160) nativos. Devido a toda esta situação da pandemia, não existiu a possibilidade de testar exaustivamente o que foi uma pena porque isto acabou por penalizar a minha experiência.

Sem querer explicar muito da história porque acho que merece ser descoberta por cada um de vós, existe certos momentos do jogo em que passamos para uma dimensão diferente/alternativa. Quando estamos neste mundo sinto que o jogo sofre uma quebra de performance abismal. E quando digo abismal digo que passei mais de metade do tempo abaixo dos 30 FPS.

O mais incrível disto tudo são os momentos que esta queda acontece. Às vezes eu estava a olhar para uma parede completamente normal sem nenhum efeito nem nada do género, e os FPS baixavam drasticamente.

Para além disto existiram outros bugs pequenos que me retiraram de uma experiência mais imersiva. Logo nos primeiros 30 minutos encontrei um local que tinha um objeto invisível por exemplo, é certo que não me impediu de continuar mas mostra uma falta de polimento.

Noutros momentos a nossa personagem deixava de fazer sons a caminhar e não se ouvia os passos (um elemento que acho muito importante num jogo de terror), alguns dos objetos, e lembro-me logo de pratos, quando pegava neles e os deixava cair ou atirava ao chão, estes não fazem barulho algum.

Curiosamente, no início do jogo, principalmente, reparei que algumas das texturas dos objetos, paredes ou quadros, eram de baixa qualidade. Tive o cuidado de testar num monitor 1080p e noutro 4K e no de 4K, nota-se de forma mais evidentemente o problema das texturas de baixa resolução. No de 1080p consegue disfarçar um pouco mais.

Isto sendo pequenos problemas, aliados ao gigante problema da performance, penalizou bastante a minha experiência. Não sei se este problema é semelhante na PlayStation 4 mas como me foi enviada a versão da Xbox One, cabe-me a mim ser honesto com a experiência que tive.

Ambiente de terror constante

Algo que me agradou bastante foi um ambiente de terror. Sendo um jogo de terror talvez pensemos que uma das principais formas de causar o pânico, medo, terror ou o que se quiser chamar, seja através de jump scares. Se como eu não gostas de jump scares, estás no jogo certo.

Foram poucos os momentos em que tive medo de por exemplo abrir uma porta e alguma espécie de monstro me saltar diretamente para o ecrã e assustar-me durante alguns segundos. Aqui isso não acontece.

Para compensar o ambiente criado à nossa volta é um ambiente de terror, um ambiente em que me senti constantemente observado por alguém ou alguma entidade.

Se não fosse os problemas técnicos

Infelizmente os problemas técnicos que mencionei acabaram por estragar a minha experiência. Eu que não costumo ser muito adepto de jogos de terror, fiquei extremamente surpreendido com Those Who Remain.

Tem uma história interessante, tem vários finais, tem uma boa duração (entre 5-6 horas), não usa os jump scares para promover o medo, tem um som de ambiente bom, tem um bom desenho dos níveis, existe a opção de escolher legendas em português de Portugal e português do Brasil, e podia continuar a enumerar outros pontos onde acho que o jogo acertou.

Infelizmente não me posso esquecer da desilusão que foi a performance. Sou uma gamer que liga mesmo muito a questões técnicas como ver a resolução, a quantos FPS o jogo corre, qual o nível de pop-up dos jogos, quanto definidas são as texturas, se existem bugs ou não e por aí em diante.

Em Those Who Remain existem demasiados problemas do ponto de vista técnico que não me permitem apreciar o jogo na sua totalidade. Esperemos que rapidamente a performance seja corrigida e quando assim for garantidamente merece uma melhor nota.

*O código de análise para Xbox One foi gentilmente cedido pela Heaven Media a quem desde já agradecemos.

**Em comunicado, ficamos a saber que a Camel 101 está a preparar uma atualização para corrigir a performance na Xbox One X. Quando esse patch tiver disponível, iremos testar e atualizaremos a Review se isso se justificar.

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REVIEW GERAL
Satisfaz +
6